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Anvisa aprova primeiro medicamento não hormonal para sintomas da menopausa

Médica ginecologista explica sobre o Veoza, novo fármaco que atua no controle da temperatura corporal e surge como alternativa para mulheres com contraindicação à terapia hormonal

24/06/2026 Ícaro Ambrósio Fonte: Assessoria de Imprensa
Anvisa aprova primeiro medicamento não hormonal para sintomas da menopausa
Foto: Freepik

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou, na última segunda-feira (22), o fezolinetanto, primeiro medicamento não hormonal indicado para o tratamento de sintomas vasomotores associados à menopausa. Comercializado sob o nome Veoza, o fármaco atua diretamente no mecanismo cerebral responsável pela regulação da temperatura corporal, oferecendo uma alternativa para mulheres que não podem ou não desejam recorrer à terapia de reposição hormonal.

Desenvolvido pela farmacêutica Astellas Farma, o medicamento será disponibilizado em comprimidos de uso diário. A indicação contempla mulheres em transição menopausal ou já na pós-menopausa que apresentem sintomas moderados a intensos, como ondas de calor e suores noturnos. Esses quadros estão entre os mais frequentes do climatério, período de transição que antecede a menopausa e pode impactar de forma significativa a qualidade de vida.

Ao contrário das terapias hormonais tradicionais, o Veoza não atua por meio da reposição de estrogênio. Seu mecanismo de ação se dá no hipotálamo, região do cérebro responsável pelo controle da temperatura corporal, frequentemente desregulada durante a menopausa. Com isso, o medicamento busca reduzir a intensidade e a frequência dos chamados fogachos, sem interferir diretamente em outros sistemas do organismo.

A ginecologista Roberta Brando, especialista em estética íntima e terapia hormonal feminina, destaca que a aprovação representa um avanço, mas ressalta as limitações do tratamento. "Ele é o primeiro tratamento não hormonal desenvolvido especificamente para alívio dos sintomas vasomotores, que são aqueles calorões da menopausa. Diferente das terapias tradicionais, o Veoza não injeta hormônio no corpo, ou seja, ele não vai proteger os seus ossos da osteoporose, seu coração do infarto e nem o cérebro da demência precoce. Ele atua no cérebro, sim, mas controlando esses calorões lá no hipotálamo", afirma.

Segundo a médica, o uso do medicamento deve ser direcionado a perfis específicos de pacientes. "Para quem quer essa medicação, é importante entender que ela é indicada sobretudo para quem tem contraindicação absoluta à terapia de reposição hormonal. Mulheres que tiveram histórico de infarto, AVC, câncer de mama ou de ovário, por exemplo", explica. Ela acrescenta que, embora aprovado, o produto ainda não está disponível no mercado brasileiro. "A Anvisa aprovou, mas é um medicamento que ainda não está sendo comercializado. De qualquer forma, é uma excelente notícia para o futuro do bem-estar feminino", diz.

Apesar da aprovação regulatória, o fezolinetanto ainda não tem data definida para chegar às farmácias. O preço também dependerá de definição da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Até lá, especialistas recomendam cautela e avaliação individualizada antes da escolha de qualquer tratamento.

"Embora novas alternativas ampliem o leque terapêutico, a terapia de reposição hormonal segue como a abordagem mais completa para mulheres elegíveis, por atuar não apenas nos sintomas vasomotores, mas também na proteção óssea, cardiovascular e cognitiva. Quando bem indicada e acompanhada por um especialista, permanece como estratégia central no cuidado integral da saúde feminina durante a menopausa", finaliza Dra. Roberta Brando.

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